Reflexão do dia 13 de novembro
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As Tradições de A.A. na Família

Karina Carneiro da Silva Costa - Assistente social

Conselheira em Dependência Química - Campos dos Goytacazes/RJ

"Nosso bem estar comum deve vir em primeiro lugar: o progresso pessoal do maior número de membros depende da unidade." (Tradição Um).

A dependência alcoólica é uma doença que atinge não só ao alcoólico, mas também a sua família. Durante a evolução do processo de adoecimento, o dependente do álcool vai gradativamente, se transformando no foco da atenção familiar. Por sua vez e erroneamente os familiares se sentem inclinados a se questionar, analisam as suas próprias atitudes como sendo as causadoras do comportamento destrutivo do dependente. O alcoolista passa então a ser visto como depositário de todos os conflitos daquela família, ou seja: a lixeira.

Conviver com o bebedor problema poderá adoecer toda a sua família, por levá-la à excessiva preocupação em como encontrar uma solução para o outro. Anulando - e escondendo os verdadeiros sentimentos - seja por culpa, medo ou vergonha, o familiar evita mostrar com clareza, o que realmente pensa o sente, sobre o comportamento do alcoólico.

Os familiares passam a utilizar o bebedor problema como uma forma terapêu-tica e visam a perpetuar sua saída, afastá-lo da convivência do grupo familiar. A este alcoolista é - sempre, atribuída toda a culpa. Este alcoólico é então considerado e utilizado - por sua própria família, como sendo o único culpado por todo e qualquer transtorno que aconteça nas relações.

Por ocasião da sua recuperação - em grupo ou na terapia, o alcoólico toma a decisão de crescer emocionalmente, passa a assumir as suas responsabilidades. Começa a corrigir seus defeitos, olhar a vida com mais realismo, enquanto a família continua confusa e zangada, encalhada nos seus próprios sentimen-tos e nas suas culpas.

Com o velho hábito de fazer do alcoólico o seu "objetivo", "o depositário", a família agora se sente à deriva. Aquele "bêbedo" e irresponsável o causador das vergonhas familiares já não existe mais! Porém toda a vida familiar permanece desorganizada; seus integrantes precisam encontrar o seu caminho para que tudo volte a funcionar com harmonia.

Acreditamos que assim como Os Doze Passos, As Doze Tradições também podem ser aplicadas à família a fim de aumentar a qualidade do relacionamento intrafamiliar bem como com o meio externo a ela.

Princípios como o bem estar comum são fundamentais para a harmonia a unidade e o conseqüente progresso dos membros da família envolvida pelo alcoolismo. Em meio ao turbilhão de conflitos próprios do adoecimento familiar faz-se necessária a tentativa de equilíbrio através de "regras", "repostas" e "princípios" claros e definidos que podem ter como pilar de sustentação As Doze Tradições  de A.A. aplicadas à Família.

Ao profissional de Serviço Social, no plano da co depedência, cabe intervir nos estudos dos sofrimentos dos familiares de alcoolistas, possibilitando que eles revelem os seus comportamentos e se "redescubram" como pessoas, com identidade própria e capazes de ver a  família como um grupo de pessoas com objetivos comuns e conscientes do seu papel no seu próprio meio e na sociedade.

Fonte: Revista Vivência nº 108 - Julho/Agosto/2007.

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